Com o velho gole de uísque e um cigarro aceso.
No fim acabamos sempre aqui.
Eu poderia simplesmente escrever um texto com diversas
amarguras e rancores.
Mas eu prefiro hoje escrever no que se resume a cansaço.
É mais fácil pensar assim, e também mais fácil ver que é
isso mesmo.
Deixo todo e qualquer sentimento guardado, seja ele qual
for.
Deixo-o quieto, afinal no momento prefiro ser um robô e não
sentir mais nada.
E junto dele deixo minhas lembranças, porque é claro elas
carregam muitos sentimentos.
Ah como eu queria agora uma tecla de “delete”, pois antes de
aperta-la certificaria de que qualquer lembranças que julgasse ruim estivesse
lá para ser deletada.
Mas é claro, hoje em dia só posso contar com o artificio
tempo para me satisfazer, mas ele não reprime ou apaga qualquer lembrança, ele
apenas as suaviza.
Mas quem, ora bolas, quer suavidade em um mundo tão bruto?
“Eu sempre quis suavidade”
Okay, mas a única que consigo é dessa forma, dor, depois
tempo, depois quem sabe certa suavidade, que desse é claro acompanhada de uma
dose de uísque, seja ele qual for.
Preferia ver de uma forma drástica em que o amor é minha heroína,
mas ora que clichê ingrato, amor não faz mal vão dizer, mas talvez seja essa a única
forma que sentir até hoje.
Mas meu coração sempre volta a ser suave, sempre volta a
bater mais forte, depois de longas e generosas doses de tempo e suavidade.
Então volto para cá, com minha dose de caubói de Jack Daniel’s
e meu cigarro já quase no fim.
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