segunda-feira, 19 de maio de 2014

Verbo

Nunca precisou de ninguém para dizer o que fazer.
Dizia que isso era seu charme, como quem solta palavras encantadoras enquanto ajeita o cabelo.
Fazia, falava, andava, odiava e amava...
Imperativo em toda sua forma.
Vivia a sua maneira intensamente.
Roubavam-lhe sua força a cada vez que lhe diziam palavras falsas.
Rugia, a dor sempre teve significados mais fortes em suas formas adjetivas.
Conhecia o significado de cada pontada em seu peito, mas sempre soube que seria passageiro.
Se reerguia com o dobro da força que o derrubou.
Entendia muito bem que a beleza das palavras vazias, elas entonavam canções de promessas não cumpridas.
Absorvia cada sílaba e a jogava ao vento em formas de prosa e poesia.
A caminhada nunca terminou, mesmo com a página virada, o verbo se via aprisionado em um livro com capítulos sem títulos apropriados a sua narrativa.
Ao voltar as folhas com rabiscos e manchas de suas lagrimas, decidiu começar uma nova história...

Desse novo amor...

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