Era tarde,
Camila sempre se perguntava o porquê não conseguia dormir. Já se passavam das três da manha, quando decidiu levantar-se e acender um cigarro na varanda.
Observava os carros andando na rua, flash de luzes distantes percorrendo a via em alta velocidade quebrando o silencio da madrugada.
Mais uma tragada na tentativa de sentir algum prazer nisso.
Desistiu.
Nem mesmo o frio que fazia a fez sentir algo. Descrente, foi deitar e no fim foi vencida pelo cansaço.
Acordou as 6:30, e foi cercada pela rotina. Levantar, tomar banho, escovar os dentes, decidiu tomar o café a caminho do escritório. Já no ônibus, cheio pelo horário de pico, resolveu ignorar o mau humor matutino e colocou seu mp3 para tocar uma musica qualquer.
Alheia a agitada manha dos paulistanos, ela desceu do ônibus a procura dos cigarros na bolsa, foi quando levou um esbarrão de uma mulher que passava correndo pela rua, no que já virou para soltar um dos mais belos palavrões que conhecia, ela foi surpreendida pelo mais lindo sorriso que já havia visto e um pedido de desculpas sincero com um leve aceno de mão.
Camila ficou desconcertada por um momento, mas logo retribuiu o sorriso e acenou a cabeça.
Que sorriso lindo!
Foi trabalhar com esse pensamento, quem seria aquela mulher? Ultimamente não tinha reparado muito nas pessoas a sua volta, será que ela corria por ali sempre?
Decidiu mergulhar no trabalho e deixou de pensar na morena que tinha dominado seus pensamentos.
Com o fim do expediente o vazio a dominava, havia se formado na area que apreciava, contabilidade, já tinha um apartamento e um carro, uma vida perfeita se não fosse pelo fato de estar sozinha a mais de três anos. Desde o ultimo relacionamento não conseguia mais encontrar razão para o amor na sua vida, mas nesses últimos meses simplesmente entendeu que não havia razão da vida sem o amor. Com quase vinte e sete anos, Camila se via só no mundo que tinha criado.
Decidiu ligar para um amigo e tomar uma cerveja, pouco importava que ainda fosse terça-feira.
Já no bar próximo ao serviço, Rodrigo chegou, ele vendo a cara da amiga já deduziu o humor dela:
- Fala racha querida!
- Ai Rodrigo você sempre precisa tirar nos dois do armário não é mesmo?
- Imagina mona, você tem Sapatão escrito na testa!
Ambos riram, era impossível manter o mau humor ao lado dele, de certo foi a melhor escolha ter o chamado para ser sua companhia.
- Camila você está precisando trepar mulher, você é tão linda, não sei porque se deprime a toa.
- Eu não sei, nunca fui fã dessa coisa de sexo sem amor...
- Deve ser porque você nunca fez né? Olha não precisa transar, mas ao menos conhecer mulheres novas, se divertir, veja amanha tem uma festa na casa do Diego, lembra dele? Então vamos vai, afinal véspera de feriado, larga esses balanços e razonetes chatos e vai beijar mulher!
Até que não era má ideia, fazia tempos que não saia, resolve ir, pois não tinha nada a perder.
Despediram-se com a promessa que o dia amanha renderia ao menos uma boa diversão.
No dia seguinte tudo passou rápido, todas as rotinas e trabalhos feitos, já estava na hora de ir para casa.
Tomou um banho demorado, deixando para trás todas as magoas e colocou na cabeça hoje eu quero é me divertir!
Ajeitou seus cabelos castanhos os deixando ficarem ondulados, passou um lápis de olho apenas para realçar seus olhos também castanhos, colocou uma regata branca, uma sandália de salto baixo e um jeans que valorizava suas pernas. Olhou-se no espelho apenas para dar a ultima checada e pronto, pegou a bolsa e as chaves do carro e foi de encontro ao Rodrigo.
- Moooonaaaaa você está um arrasoooooo! Olha se eu fosse hetero eu até investia.
- Para viado que você não consegue nem fingir que é hetero!
- Claro que consigo (engrossando um pouco a voz).
(risos)
Decidiram ir para a casa de Diego, afinal a festa já tinha começado. Ao chegarem, viram uma festa de muito bom gosto e “gliter”, afinal Diego sabia como ninguém fazer uma festa, o som estava muito bom e tinham aperitivos e bebidas a vontade.
Camila se serviu de um copo de Uísque e Rodrigo foi cumprimentar a multidão de pessoas que ele conhecia.
Decidiu ir sentar e observar a festa, quando estava quase chegando na mesa, levou um esbarrão e deixou todo o uísque cair na roupa, quando foi olhar inconformada lá estava a mulher do sorriso mais lindo novamente...
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