quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Ser lésbica e Solteira - Parte X

Me sirvo de uma dose generosa de uísque, e me deito no sofá cama de minha sala.
“Plugo” os fones de ouvido ao notebook com musicas que me relaxam e animam ao mesmo tempo e deixo meu cigarro ainda apagado apoiado ao cinzeiro.

Este é meu fatídico ritual de escrita, que hoje veio acompanhado de incenso para harmonizar o ambiente.

Como se fosse uma meditação, esvazio minha cabeça.

E deixo simplesmente as palavras saírem.

Dou o primeiro gole e sinto meu corpo relaxar e logo reagir a bebida.

Ultimamente me tornei uma espécie de espectadora de minha vida, queria me sentir um pouco alheia as minhas necessidades insistentes de tentar resolver tudo de uma vez.

Queria assistir a minha realidade, fazendo disso uma tentativa de analise ao tudo que venho passando.

Tento me livrar da tamanha ansiedade que carrego em meu peito. Uma tarefa bem difícil de fato, pois minha ansiedade reside em tudo na minha vida, por ex:

Para acabar a semana, para comprar/vender meu carro, para terminar a faculdade, para chegar logo o almoço, para acabar logo a aula, para receber meu salario, para encontrar uma companheira, para me ajeitar financeiramente, para alugar minha casa, para terminar de ler o livro logo, etc...

Para mim é “normal” viver com essa certa pressão com que vivo.

Engraçado que a única coisa com que tenho essa ansiedade brutal e com a escrita, com ela sempre cumpro meu ritual com prazer e sem pressa, na realidade existe uma certa satisfação toda vez que paro e escrevo, pode ser do assunto mais banal até uma reflexão assídua de minha vida.

Ela jorra, gritando, extravasando todos os meus sentimentos, de forma clara e simples, algo que certamente em um dialogo terei mais dificuldade em expressar do que talvez em uma carta qualquer.

*pausa para acender o cigarro e traga-lo*

Decidi com tanto afinco mudar meu jeito de ser que isso não tem passado despercebido por colegas de trabalho, em casa ou em qualquer lugar.

Percebi que quero ser feliz, mas não uma felicidade falsa, sabe aquela sensação de paz que você sente apenas por ter acordado bem?

Decidi coloca-la em pratica, quero sorrir, quero ter sensações e oportunidades novas.

E existe uma grande diferença, meu bem, quando você realmente quer isso.

Você atrai, você enxerga, e por fim, você vive isso.

Queria poder definir isso em palavras, não é uma sensação que você experimenta namorando, é uma felicidade própria, leve, sem desespero, o único compromisso que você tem no momento é com você.

Estou até pensando em comprar uma aliança e colocar no meu dedo para assumir esse compromisso comigo. (risos)

Sempre funcionei bem com alianças, elas sempre me mostram um compromisso serio, um símbolo que representa minha dedicação para com o relacionamento.

Mas voltando ao foco, vejo que me perdi tanto em meio a relacionamentos conturbados, perdi tantas experiências minhas, próprias, tantas vontades que abafei com a euforia de uma paixão, que hoje não entendo como pude permitir eu  me anular tanto.

A ficha realmente caiu para a pisciana retardada aqui.

Agora estou me permitindo viver, com todos meus defeitos e qualidades em evidencia, me permitindo sonhar e enfim realizar muitas de minhas vontades, desde sair sem rumo, até aproveitar a companhia de amigos e família.

Tá já estou sendo dramática demais em relação a tudo, mas é que queria compartilhar isso com todos.

Estou feliz sem estar namorando, e sim isso existe na vida de pisciano!

(risos)

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